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MFK Fisher setembro 22, 2008

Posted by Renata do Amaral in [ off-topic ].
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Li na Time Out de Nova Iorque que amanhã vai haver um simpósio sobre MFK Fisher, minha food writer favorita de todos os tempos. É o centenário da moça que revolucionou a forma de se escrever sobre o tema – não sem antes passar por poucas e boas por causa disso. A verdade é que ela escreve sobre tanto mais! Esse trechinho que reproduzo abaixo foi a epígrafe da minha dissertação de mestrado e resume a história. Para reler sempre, para lembrar e para dar um gostinho a quem não leu ainda.

People ask me: Why do you write about food, and eating and drinking? Why don’t you write about the struggle for power and security, and about love, the way others do?

They ask it accusingly, as if I were somehow gross, unfaithful to the honor of my craft.

The easiest answer is to say that, like most other humans, I am hungry. But there’s more than that. It seems to me that our three basic needs, for food and security and love, are so mixed and mingled and entwined that we cannot straightly think of one without the others. So it happens that when I write of hunger, I am really writing about love and the hunger for it, and warmth and the love of it and the hunger for it… and then the warmth and richness and fine reality of hunger satisfied… and it is all one. (…)

There is a communion of more than our bodies when bread is broken and wine drunk. And that is my answer, when people ask me: Why do you write about hunger, and not wars or love?

(M. F. K. Fisher, na abertura de The Gastronomical Me)

As pessoas me perguntam: Por que você escreve sobre comida, e comer e beber? Por que você não escreve sobre a luta por poder e segurança, e sobre amor, como os outros fazem?

Eles perguntam isso me acusando, como se eu fosse, de alguma forma, inaceitável, infiel à honra do meu ofício.

A resposta mais fácil é dizer que, como a maioria dos outros humanos, eu tenho fome. Mas há mais que isso. Parece-me que nossas três necessidades básicas, de comida, segurança e amor, são tão misturadas e combinadas e intrincadas que não podemos verdadeiramente pensar em uma sem as outras. Então acontece que quando eu escrevo sobre fome, eu realmente escrevo sobre amor e fome por ele, e felicidade e o amor por ela e a fome por ela… e quando escrevo sobre a felicidade e a saciedade e a realidade da fome satisfeita… e tudo é uma coisa só. (…)

Há uma comunhão que vai além dos nossos corpos quando o pão é repartido e o vinho bebido. E essa é minha resposta, quando as pessoas me perguntam: Por que você escreve sobre fome, e não sobre guerras ou amor?

(Tradução livre)

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Comentários»

1. Dai - setembro 22, 2008

Ah, esse gostinho já tive. Amo. Beijocas


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